Para um filme que veio com a pretensão de trazer Arlequina com muito mais destaque do que em Esquadrão Suicida (2016), o “taco” saiu pela culatra. Em Esquadrão, a anti-heroína, que embora seja uma velha conhecida dos HQ’s da DC Comics, teve sua primeira aparição e, de cara, tornou-se uma das personagens mais carismáticas. Logo, a franquia apostou num filme só dela. Ótima proposta, não fosse a história que segue um roteiro tão insano quanto sua protagonista.

Aí vocês vão dizer: Mas Arlequina é insana! Sim. Mas quem está assistindo ao filme, não. Então o mínimo que se espera de um roteiro, é uma cronologia inteligível e uma sequência de cenas que não subestime a cognição dos espectadores, mesmo sendo um filme do gênero super-herói/fantasia. Mas a Diretora e Roteirista novata Cathy Yan, em seu primeiro filme da carreira, escolheu uma verve burlesca, com cenas grotescas como as lutas travadas no Parque Mal-Assombrado, onde Arlequina e as Aves de Rapina, formadas por Canário Negro, uma cantora com poderes vocais ultrassônicos; Caçadora, a única sobrevivente ao massacre de sua família Bertinelli (que só volta a Gotham City para se vingar dos algozes, e aleatoriamente, se junta à trupe); a trombadinha Cassandra Cain, que rouba o diamante do “super vilão” da vez; e Renee Montoya, detetive afastada da polícia por motivos escusos. Pronto, uma vez formada a inusitada e pouco entrosada trupe, vamos aos vilões. Temos o veterano e consagrado Ewan McGregor na pele de Roman Sionis, ou Máscara Negra, como é chamado nos quadrinhos. Na infância era amigo de Bruce Wayne, que por sinal só é mencionado no filme quando Arlequina batiza sua hiena de estimação. Aliás, abrindo um parêntese, a Gotham City da diretora chinesa Cathy Yan parece uma nova cidade, onde Batman, Coringa e outros personagens emblemáticos simplesmente não orbitam.

É líquido e certo que McGregor entrou numa fria ao aceitar o papel, cuja principal característica nos quadrinhos é ter tido a face desfigurada numa luta com Batman, que o fez usar a máscara negra que dá origem ao seu nome, e o transformou num sádico vilão. Tudo isto é suprimido no filme, cuja única malvadeza substancial de Sionis foi mandar seu capanga, Victor Zsasz, escalpelar a face de dois figurantes. Eu diria que esta é a única cena que realmente justifica a classificação etária do filme (16 anos), porque o restante poderia tranquilamente ser assistido por crianças.

Na luta principal do filme, cujo cenário é um Parque de Diversões Macabro, Arlequina e Cia. partem pra briga munidas de armas circenses como martelos de palhaço, patins, pistolas de paintball, e um agudo em Dó maior de Canário Negro, que foi o golpe final. Assim as Meninas Superpoderosas vencem todo o exército de Sionis, armado até os dentes!

Ah, e a cena fofa onde elas escorregam por um túnel multicolorido, lembra muito os pirulitos e cenários do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005).

Só faltaram os Oompa-Loompas.

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